Estamos em um período eleitoral, é verdade, mas não podemos ignorar a história das eleições em nossa cidade e a trama ideológica propagada por cada partido e candidato ao longo de sua trajetória.
O fato que chamou a atenção de muitos desavisados nesta semana foi a desistência de Ana Affonso em ter seu nome à disposição do PT para a próxima campanha. O partido, assim, perdeu as chances de manutenção de uma cadeira, além de um grande número de votos de sua “puxadora de votos” para a legenda. Isso, em uma eleição sem coligações, irá prejudicar muito a estratégia dos novos candidatos, que já não tinham muitas chances frente a grandes nomes e até antigos nomes que estão voltando à cena em novos partidos.
Voltando à atual vereadora, em um partido que propaga a igualdade de gênero, lembramos que ela concorreu na primeira eleição, segundo ela mesma, para “preencher cotas”. Nessa prática, homens usam mulheres para preencher nomes na lista e assim viabilizar suas campanhas. Depois disso, para deputada, foi preterida em sua cidade, deixando escapar uma cadeira na Assembleia por míseros 1.000 votos, que foram para candidatos de outros municípios, conforme reflexão feita em seu discurso de despedida.
Contudo, creio que a gota d’água foi o fato de que agora seria, sem sombra de dúvidas, a vez de Ana Affonso ser a prefeita desta cidade. No entanto, este fato foi impossibilitado, pois para isso, seu cunhado Vanazzy, prefeito de São Leopoldo, teria que deixar de lado meses em seu cargo, o que não estava disposto a fazer. Hoje, o debate para o cargo mais alto do município, em seu partido, está entre um político de São Leopoldo e um político de Sapiranga. Isso deixa de lado a história desta grande liderança feminina que terá agora quatro anos fora de um cargo eletivo municipal, o que reduzirá muito, até acabará, com suas chances para um cargo executivo em nossa cidade, daqui a 8 anos.
Claro, ninguém sabe o que de fato se passa na cabeça de uma personalidade forte e líder política como Ana Affonso, nem cogitamos essa hipótese. No entanto, ao juntar todas essas peças, fica claro que, de fato, esta “não foi a vez delas” novamente.









