Diariamente nos deparamos com casos midiáticos, instagramaveis de combate aos maus tratos aos animais, em geral, as câmeras estão nas mãos de protetores de animais. Mas agora vamos falar do outro lado da história, aquele que o Instagram não mostra.
Vemos a cobrança pela liberação de cães das correntes. Mas não se fala das casas de protetores, que, na verdade, poderiam facilmente ter a qualificação de acumuladores (https://portal.pucrs.br/noticias/pesquisa/acumuladores-de-animais/), empilhando animais, não raras vezes na casa das centenas de vidas. Aglomeradas, em ambiente insalubre, sem a devida manutenção comprovadamente incompatível com o número de animais.
Ainda casos de exploração da imagem de cães desnutridos. Porém, o que não te mostram são as casas de passagem e abrigo de animais, sem ração, misturando ração de baixíssima qualidade, sem procedência, e até mesmo cozinhando para animais, sem nenhum critério técnico de balanceamento da alimentação ou supervisão.
Muitos tutores são cobrados para manter seus animais sob supervisão veterinária. Porém, as pessoas que cobram, abrigam em um mesmo local mais de 40 animais, sem ter registro de atuação, sem responsabilidade técnica, sem qualquer preocupação com a integridade médica dos pets. Em caso de doença, sem dinheiro, inicia-se a correria para atendimento, que muitas vezes não vem.
Não é bonito abrigar desenfreadamente animais.
Não é novidade o caso de protetores que após a morte geram um problema social, afinal, onde colocar tantos animais? Neste caso deveríamos responsabilizar as pessoas que incentivaram e colaboraram para a geração de tal situação.
Não cabe a outro, senão ao poder público, a obrigação de abrigar, tratar e manter os animais, bem como fiscalizar e se necessário punir. Mas da forma atual, é cômodo para as prefeituras, jogam para o colo do romantismo da proteção animal, e que esta se vire, pois a foto do Instagram ficará na nuvem, e o problema na vida real. O poder público gasta seus milhões indevidamente, a rede de proteção animal falha em seu papel na vida real, e quem sofre de verdade são os animais.
Já os tutores, que na maioria das vezes são vítimas, precisam cumprir um papel que não é executado por aqueles que cobram. Os que cobram, não alimentam da forma adequada, não tem segurança alimentar, não tem responsabilidade sobre a saúde, mas dos tutores cobram este papel.
Enquanto a sociedade se pautar por redes sociais, romantizar problemas urgentes, fingir que comentando ou compartilhando algo está ajudando, nada vai mudar. Vai piorar.
Não sei se você concorda, ou discorda, mas esta é a minha opinião. Deixo o espaço aberto nos comentários.
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Opinião: Anderson Ribeiro, é colunista, graduado em Direito, com pós-graduação em Gestão Financeira e em Inteligência Artificial e Machine Learning, e mestrando em Transformação Digital na Universidad Europea del Atlántico, Espanha. Fundador e Diretor da ONG de proteção aos animais e ao meio ambiente GAEPA, experiente em gestão pública no setor executivo. Forte atuação na área de desenvolvimento de novas tecnologias, Big Data, análise de sistemas e em pesquisas de satisfação e opinião.









